Outros lápis

Quando mais novo, você já se questionou sobre o plural de lápis?

Foi um estojo esquecido nas minhas coisas quem quase me fez chorar.

Já vinha tentando me disciplinar a isso fazia uns meses: não chorar por qualquer coisa.

Só que a saudade pode ser uma coisa tão estupidamente gigante, que não cabe só no peito, tem que querer desbotar a luz do rosto e se derramar pelos olhos. Mas não quis abrir exceções. Não coloquei o estojo no lugar que estava, passei mais tempo do que deveria com ele em mãos enquanto procurava grampos para o grampeador que tinha ficado vazio.

E esqueci que o ponto era o grampeados vazio. Mesmo sabendo quais lápis tinham naquele estojo. Embora se parecessem, não eram iguais, tinham lá suas medidas, minimamente distinto, em todas as suas espessuras e funções, mas tinham.

Então olhei, cada pontas usada, cada detalhe em cor na madeira desbotando por causa do uso, seus tamanhos, a borracha branca que fazia par com a minha rosa. Estava fechado. Não totalmente, também não exitei em terminar de fechar ou abrir.

Na verdade, o ponto era a mão que tocava aquilo ali.

Sua suavidade. O esforço. O amor nos traçar desenhos que também inspirei. Ou expirei. Talvez se encaixe. Por mais que se mostrasse uma besteira, ou um grande melodrama, porque não mexicano sobre o amor, eram as recordações das mãos as quais irão me segurar por toda vida. E que por toda infelicidade do mundo, não poderia estar ali presente comigo pra abandonar aqueles lápis pra me segurar.

O que deveria ser uma mera ação de continuidade causou um engavetamento de emoções distintas indiciado pela saudade. É que coisas assim, a gente meio que fica querendo pra ontem. As coisas que não puderam ser minhas, ou que não consegui construir por motivos de força maior, estavam em um ser humano que veio pra me salvar do que não fui, pra ser. E como eu era.

Acho que quando encontramos nosso extraordinário, o vazio que antes existia passa a depender dele como criança de colo querendo dormir abraçado – aquilo é meu e simplesmente foi feito pra mim, totalmente certo.

Não chorei quando ainda estava com o estojo. Mas, e enquanto escrevia?

É. A saudade tem dessas coisas. Doravante, quando adulto, você se questiona sobre o que é saudade?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s